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Novo livro “O Homem Infinito. Vida e obra de Nadir Afonso”, por Guilherme Pires

Eis “O Homem Infinito, a biografia de Nadir Afonso”, pintor, arquitecto e pensador português.
Escrevi o livro a convite de Manuel de Freitas, director da Penguin Random House portuguesa (e da 20|20 Editora quando o convite foi feito), e de Laura Afonso, a viúva de Nadir.
Quando tiver o exemplar impresso, escreverei um pouco mais sobre ele.
O livro chegará às livrarias mais perto do fim do mês. A edição é da Influência, chancela editada pela Catarina Martins.

Em pré-venda nas livrarias on-line.

Por Guilherme Pires:
«Escrever uma biografia é sempre um trabalho de detective, historiador, entrevistador, por vezes psicólogo e sociólogo. Quando o biografado é ou foi um criador artístico, validado pelos pares e reconhecido pelo público, o projecto torna-se ainda mais complexo: surge a tentação de abrir trilhos para uma análise crítica da obra. Tais dimensões, se misturadas sem conta, peso e medida, podem gerar textos que não narram uma vida, mas antes examinam as qualidades e defeitos da pessoa, da sua arte. Há inúmeros exemplos destes, mas também do seu oposto: biografias que assumem a vontade de contar uma história e de não cair na vertigem da crítica literária ou artística, do julgamento moral ou social.
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Após o convite feito pela editora, propus-me a fazer um livro que integrasse este último lote. A biografia que escrevi conta uma vida, cujas raízes se fixaram em territórios artísticos e literários (acima de tudo o resto, Nadir pintou, reflectiu e escreveu), de um homem que tinha tanto talento para as artes plásticas como para a palavra e que viveu sempre fiel ao dever de não desperdiçar um segundo: na arte, no pensamento, no amor, na mudança necessária, na reclusão que preferia.
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Por isso, Nadir surge no livro em discurso directo antes de cada capítulo, numa antecipação do que se contará; por isso, a cadência do texto é entrecortada por blocos mais expressamente narrativos e, quiçá, literários, nos quais apresento momentos fulcrais, alguns absolutamente inusitados, breves relâmpagos de metamorfose ou revelação que Nadir viveu.
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Alguns biógrafos preferem a ausência do biografado, para não terem de lidar com os seus quereres e indignações, com a distorção que imporiam à realidade para que fosse uma, a sua, e não outra. Eu preferia ter escrito o livro antes do desaparecimento de Nadir, porque os registos pessoais e intransmissíveis (diários, cartas, desabafos registados em áudio e vídeo) que deixou são escassos: de uma vida em sucessivos naufrágios não se poderia esperar outra coisa. Há muito que se perde em qualquer mudança.
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Queria, acima de tudo, ter podido conversar com ele; pois que «O Homem Infinito» seja esse diálogo, sussurro agora para os meus botões.»